25 de fevereiro de 2007

Afinal, o que é Hipertexto e de onde ele veio?



O hipertexto, termo que surge nos anos sessenta criada por Theodor H. Nelson se refere a um tipo de texto eletrônico; a uma nova tecnologia informativa. Entretanto, apesar de sua nomenclatura ser relativamente nova, o hipertexto, ou pelo menos sua idéia essencial, já havia sido encontrada tecnicamente por meio de projeto de uma maquina no ano de 1945 pelo cientista americano Vannevar Bush. A idéia central do desenvolvimento dessa nova tecnologia prometia organizar os livros e seus conteúdos com base em suas afinidades; uma espécie de blogue eletrônico antigo. Com efeito, isso possibilitaria tanto maior compressão de dados quanto um processo de busca mais acurado das matérias. Essa idéia, de acordo com Landow (1995) ficou conhecida por Memex. Suas razões de existência, ele mesmo explica:

El problema principal reside em lo que llamo <>, la recuperecion de la información, y la razon primaria por la que los que necesitan información no pueden encontrarla, se debe a los inadecuados medios de almacenar, ordenar y etiquetar la información. (Vannevar Bush, apud. Landow. 1995, p.27)


A idéia sobre o Memex (Memory Extension), consistia em ajudar as pessoas a construir suas rememorações por meio de uma maquina que possibilitasse um funcionamento parecido com pensamento humano de associação. Desta forma, as pessoas poderiam ter suas falhas de memória corrigidas, pois, o Memex se prontificava em organiza-las e em data-las corretamente. Essa nova idéia veio a publico por meio de um célebre artigo feito pelo próprio Bush, intitulado de: As We May Think?.

Entretanto, apesar disso tudo acima ser verdadeiro, precisamos aqui dizer que a idéia essencial de compressão e organização dos textos não surge por causa única do Memex propriamente dito, como a maioria dos especialistas possa querer, mas, fundamentalmente, surge a partir de uma inquietante sensação do homem moderno, frente a um vertiginoso e crescente acúmulo e desenvolvimento de novas informações, teorias, experiências e assuntos nos mais vastos campos do saber. O pensamento não poderia mais ser posto apenas de forma linear, como fora anteriormente com a dominação dos livros tradicionais, ou seja, os livros, como suportes físicos, desaceleravam o crescimento e o desenvolvimento do pensamento e, o que é pior, lotava as prateleiras das bibliotecas de forma drástica, onde muitas das vezes, eram quase totalmente esquecidos pelos leitores.

Em outras palavras, o império do livro tradicional juntamente com suas características essenciais de leituras a saber: monossemia e fechamento de idéia e, de escrita; intransigência e autoritarismo começaram a dar vazão a outras formas de escritas e de leituras concomitantemente aos novos valores sociais. Desta forma, temos:


El conjuto de la experiencia humana está creciendo a un ritmo prodigioso, pero los medios que empleamos para desplazarnos por este laberinto hasta llegar al punto importante del momento son los mismos que utilizábamos en los tiempos de las carabelas. (Bush, apud. Landow. 1995, p.26)

A partir desse pensamento e aspiração surge o hipertexto, como conhecemos hoje em dia, um portal que liga assuntos afins ao longo de infinitas possibilidades associativas. O hipertexto, mais do que uma nomenclatura técnica, ele representa e corporifica a forma do pensamento humano, pois, o cérebro humano não funciona linearmente, ou bidimensionalmente, mas, sobretudo, de forma não-linear e tridimensional. O hipertexto surge para facilitar as conexões de pensamento, prolongar o conhecimento e acelerar seu desenvolvimento. A célula principal do hipertexto, aquela que possibilita e engendra todas as associações possíveis, é conhecida como “Links” ou, segundo Barthes, lexias. Esses links ou lexias são os pontos; os nódulos de abertura responsáveis por fazer o fenômeno Hipertextual acontecer dentro de um suporte midiático eletrônico.

Entretanto, ainda que seja verdade que a nomenclatura: Hipertexto surja a partir de um advento eletrônico, não podemos em hipótese alguma afirmar que ele é unicamente eletrônico. Em outras palavras, o fenômeno do hipertexto, ou seja, aquela necessidade humana de associação; de pular associativamente de assunto à assunto, pode ser empregada em qualquer suporte, seja ele linear ou não. Haja vista que, segundo Landow (1995), os textos acadêmicos com suas notas de roda pés, citações e referências são as evidências de que o fenômeno hipertextual já era possível em suportes lineares, mesmo que de forma rudimentar, isto é, comparado com as novas e infinitas possibilidades eletrônicas de hoje.

3 comentários:

Mónica disse...

A capacidade de elección é o que fai que o hipertexto sexa hipertexto, é a interacción do lector o que rompe coa linealidade para determinar que camiño tomar dentre tódolos sendeiros de información dispoñibles.
Visto deste xeito, o hipertexto aseméllase á "vida real". Eu camiño no meu devir diario por unha senda que dá lugar a diferentes eleccións. Todos debemos resolver interrogantes. Todos temos que decidir cara onde tirar en cada momento e seguir adiante.
Jorge Luis Borges dicía que “los hombres pasan su vida buscando la salida del laberinto, si logran salir sólo se dan cuenta de que están circunscritos en otro laberinto de mayor tamaño y así sucesivamente”.

Mónica disse...

Siquiendo a Janet Horowitz Murray, las historias multiformes buscarían sobrepasar los formatos lineales no sólo como un capricho, sino como una emulación del pensamiento del siglo XX, el cual percibe el mundo como un “mosaico de posibilidades”.

Anônimo disse...

There are so many ways to create different worlds with the new ICT's today. So, go ahead pick up your and come up with a brand new idea to share!!!
Congrats::